Matheus Leitão

Imagem colorida, Lula e Janones
Imagem colorida, Lula e Janones · Imagem: Reprodução

Canal de Janones vira o 2º maior do Brasil, atrás só do Pack de Figurinhas, após Flávio tentar tirá-lo do ar ao menos quatro vezes

10 milhões: Exército do Lula deixa a Netflix para trás no WhatsApp
10 milhões: Exército do Lula deixa a Netflix para trás no WhatsApp · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

23/10/2026 18:45

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O canal “Exército do Lula” ultrapassou a Netflix e se tornou o segundo maior canal do WhatsApp no Brasil. Às 17h50 desta sexta-feira (23/10), a dois dias do segundo turno, o canal administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) chegou a 10 milhões de seguidores. Agora só fica atrás do “Pack de Figurinhas”, que soma 15,3 milhões. A Netflix, até então vice-líder, tinha 9,8 milhões na tarde desta sexta. Na sequência aparecem o g1, com 6,1 milhões, e a CazéTV, com 4,9 milhões.

A escalada foi meteórica. Antes da votação de 4 de outubro, o canal reunia cerca de 50 mil seguidores. Passou de 2,9 milhões em 7 de outubro e de 4 milhões no dia 12. Chegou a 5 milhões no dia 17, a 7 milhões no dia 21 e a 8 milhões no dia 22. Os 10 milhões equivalem a cerca de 6,3% dos 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, embora seguidor não seja necessariamente eleitor. A “Tropa do Flávio”, canal criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para apoiar Flávio Bolsonaro, tem cerca de 2,1 milhões de inscritos.

Em vídeo gravado logo após a marca, Janones chamou os seguidores de “o maior exército democrático do mundo”. Para ele, o crescimento foi alimentado pelas tentativas de derrubar o canal: “Cada vez que tentaram calar o nosso exército, a gente cresceu mais. E cada pedido de suspensão foi mais um milhão de seguidores.” A próxima meta já está anunciada: “a maior live da história” em número de espectadores, com 24 horas de duração. Ele promete a participação de Lula, ministros, governadores e artistas. “Esquece todas as outras missões, foca só numa coisa”, pediu.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) recorreu à Justiça Eleitoral contra o canal ao menos quatro vezes. Em 10 de outubro, entrou com uma ação de investigação judicial eleitoral pedindo a suspensão do canal e a cassação do mandato de Janones. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, pediu mais informações e não suspendeu nada. No dia 11, a campanha foi direto ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que mandou a Meta tirar o canal do ar em três horas. Cueva derrubou a ordem no mesmo dia. Em 13 de outubro, Nunes Marques voltou a suspender o canal até que fosse registrado na Justiça Eleitoral. O registro foi feito e o canal voltou. Em 20 de outubro veio nova petição, pedindo inclusive a eventual indisponibilização do canal. No dia 22, Nunes Marques atendeu a outro pedido e mandou a Meta fazer uma varredura nas publicações. Nesta sexta, o ministro Floriano de Azevedo Marques proibiu novas suspensões por decisão individual, sem passar pelo plenário, sob multa diária de R$ 50 mil à Meta.

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As investidas esbarram em pontos difíceis de contornar. Canal de WhatsApp não é disparo em massa. Só recebe mensagem quem escolheu seguir, e sair leva um toque. Para os defensores do canal, derrubá-lo seria impedir 10 milhões de pessoas de receber um conteúdo que elas mesmas pediram para receber. A Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do próprio TSE analisou as publicações de 2 a 11 de outubro e não encontrou as afirmações falsas citadas por Flávio. O Estadão também não localizou esses conteúdos no canal. A Meta informou que o WhatsApp não identificou sinais de comportamento coordenado. O próprio Nunes Marques escreveu que a mobilização política digital é lícita. Floriano afirmou que as “missões” de compartilhamento de Janones não configuram, por si só, irregularidade. Além disso, a “Tropa do Flávio” funciona exatamente no mesmo formato.

Esta reportagem não encontrou registro de tribunal eleitoral que tenha derrubado, em plena campanha, um canal de apoiadores desse porte. Os casos mais próximos são bloqueios de aplicativos inteiros, como o Telegram, por governos como os de Rússia e Belarus.

A campanha de Flávio sustenta que o canal espalhou desinformação, como o suposto fim do Bolsa Família e cortes em aposentadorias em caso de vitória da oposição. Também afirma que as “missões” manipulam o algoritmo das redes e que Janones apagou 499 conteúdos. Para a campanha, o canal está ligado à campanha oficial de Lula e deveria seguir as mesmas regras de propaganda. Ministros do TSE chegaram a discutir a proibição de canais políticos com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas antes da votação, o que atingiria os dois lados. A proposta não avançou.